Um ditador, emails, e as ironias da lei

Há tempos li que um dos grandes problemas da Inteligência americana em reunir informação no Afeganistão era devido aos métodos rústicos de comunicação entre a insurgência no país. Vigilância em cima de chamadas telefônicas, emails hackeados, interceptação de cartas, nada disso era útil em um ambiente que a comunicação passava, literalmente, de mão em mão, via bilhetes, logo destruídos.

Quanto mais a tecnologia evolui, mais rápida e efetiva a comunicação fica. Mas, por outro lado, quanto mais informatizada a informação é, mais vulnerável você se torna.

Não que em tempos já distantes, pré-internet e pré-computador, a informação era completamente segura. Daniel Ellsberg, por exemplo, ganhou a alcunha de ‘O Homem mais Perigoso da América’ depois de vazar para o The New York Times os chamados ‘Pentagonon Papers’, o infame relatório ultra-secreto americano sobre o Vietnã.

O Wikileaks, porém, deu uma nova dimensão ao conceito de vazamento de dados. Questão de segundos para copiar dezenas de milhares de segredos de Estado em um pendrive.

Não espanta, portanto, o mais novo furo do britânico Guardian, que teve acesso ao conteudo dos emails das contas do ditador sírio Bashar al-Assad e sua esposa Asma.

São mais de três mil emails, que vão desde o trivial (como o fato da família Assad ter gasto milhares de libras em acessórios franceses para a casa), ao campo político (conselhos pedidos ao Irã sobre como reprimir a oposição do país) – informações que não são assim tão surpreendentes. Surpresas de fato estão lá também, como a mensagem enviada pela filha do Emir do Qatar sugerindo que o casal Assad saísse da Síria e se refugiasse em Doha.

A minha revelação favorita, até o momento, é a seguinte: Bashar al-Assad, ele próprio alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos, usou o endereço de um ‘laranja’ nos Estados Unidos para comprar músicas e aplicativos no iTunes.

Em um ano, mais de 8 mil pessoas já foram mortas pela repressão do governo sírio.

Bashar al-Assad utiliza endereço falso no iTunes, o que constitui crime de identidade.

Porém, apesar dos pesares, Assad não faz download ilegal.

Ironias de um ditador dentro da lei.

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Kony 2012 – ou ‘Ignorância não se combate com Ignorância’

Você, nesse momento, já deve ter abandondo este blog, por razões mais do que justas.

Mas confio que você não abandonou o mundo, e muito menos a Internet. Por isso, você já deve, nesse momento, já ter assistido ao vídeo da campanha Kony2012, não?

Sabe por que Hotel Ruanda, o filme, é um sucesso?

Porque por meio de uma das histórias mais sanguinolentas dos tempos recentes, conseguiram criar um filme cativante, bem editado, com ritmo de hollywood e ainda por cima ensinar uma coisa ou outra sobre um lugar que pouquissima gente sabe onde fica.

Sabe porque Hotel Ruanda é odiado em Ruanda?

Porque ele é raso, superficial demais, e não explica muita coisa no fim das contas, ou pior, reforça certos esteriótipos sobre a África em si (“como isso aconteceu? é óbvio que é um surto de maldade e cegueira humana”), enquanto tudo é politicamente compreensível.

Tem-se ai um dilema enquanto autor: ou você faz algo profundo (e, que por ser profundo, vai ser complexo e portanto de compreensão mais difícil) e vai conversar com meia duzia de pessoas que já são, na maioria, ligadas ao tema de uma forma ou outra;

Ou você vai introduzir o tema a um público muito maior, ignorante sobre o assunto, mas sem a profundidade necessária. Não tem equação perfeita nesse balanço.

Sei disso por experiência própria. Eu mesmo me vi diante desse cenário – afinal, escrevi um livro sobre a Bósnia, um lugar tão relevante geopoliticamente quanto Ruanda.

Kony 2012 vive nesse e desse ambiente. Os idealizadores conseguiram introduzir um assunto importante – a abdução de crianças como soldados de guerra; Kony, um dos maiores criminosos da história contemporânea – a um mundo ignorante.

Viraram pauta da noite pro dia em cima de um tema que não tem a menor relevância política agora. Não sei você, mas eu acho isso não menos do que fantástico.

Sessenta milhões de visualizações. Pós-euforia, chega o momento das críticas. Parte delas diz respeito a esse dilema de profundidade histórica x acesso ao público; outras, sobre a falta de transparência da ONG por trás da campanha, a Invisible Children. Justas.

Críticas enriquecem o debate. Suponho que muito dos que se aventuraram a fazê-las leram mais, se aprofundaram mais sobre as linhas gerais da campanha – Kony, LRA, Uganda.

Ponto positivo para a campanha, por instigar (mesmo que esta não tenha sido sua meta principal), e para os críticos, por adicionarem informações omitidas no vídeo – número restrito de soldados do LRA, o paradeiro de Kony, a atual situação no norte de Uganda, etc.

Ignorância, contudo, não se combate com mais ignorância.

O que a África é pro mundo, a Zona Leste é pro paulistano.

Todo mundo mora em Moema, Itaim, Vl. Madalena, Vl. Mariana e etc. E tem o resto, que mora na ‘Zona Leste’, aquela massa uniforme e cinzenta que ninguém nunca foi, ninguém nunca viu, e é uma coisa só.

Eu, por exemplo, sempre morei na ‘zona leste’.

Contudo, se você vai só um pouco além – e nem precisa morar na África ou na Zona Leste pra saber – você saca que tem muito mais ali, de que o Tatuapé é tão diferente de Itaquera quanto a Namibia (que é uma das democracias mais vibrantes da África) é da Etiópia.

Muitos problemas são comuns a todos os lugares, mas as raízes e origens são tão distintas quanto a criação de políticas para combater estes problemas – na África e em São Paulo.

O caminho mais fácil – e mais perigoso e improdutivo – é unificar: tratar a África como um país só, e não um continente com atualmente 55 países, tão distintos ou mais do que os que formam a América do Sul.

Você, como brasileiro, certamente sentiria-se ofendido de ouvir de um estrangeiro falando que ‘a América é isso’. Você vai chamá-lo de ignorante, porque sabe que o Brasil não tem nada a ver com a Venezuela, que por sua vez, não tem nada a ver com o Haiti.

Isso é enxergar o mundo além do preto e do branco. Se você é desses, sinta-se tentado a fazer sua crítica às críticas que pipocam sobre as ‘reais intenções’ da campanha Kony 2012:

Em resumo, a real intenção dos EUA com essa campanha é de iniciar um processo de invasão em Uganda, a fim de tomar o controle dos campos de petróleo recém-descobertos.

De acordo com essa visão, todas as intervenções militares dos EUA nos últimos tempos têm apenas um objetivo: petróleo – que bem diga a ocupação no Iraque e na Líbia.

O inferno está cheio de boas intenções. Como os Estados Unidos é, de acordo com o Irã, o Grande Satã, também é, por associação bestial, o guardião de suas portas.

Mas… se os Estados Unidos representam o mal, o Irã faz parte do time dos bons rapazes?

Em um mundo preto e branco, só dois caminhos são visíveis – o do certo e do errado, o do bem e do mal, o dos bandidos e dos mocinhos.

Certas perguntas não cabem nessa esquema. Muito menos suas respostas.

Por que os EUA invadiram e mantém a ocupação no Afeganistão, um país pouco conhecido por suas reservas de petróleo? Talvez para ajudar os chineses, que ganharam contratos na ordem de $700 milhões para explorar os recursos energéticos do país?

Por que se fala no início da apropriação de recursos energéticos da África mas não se ouve falar do papel da China – justo eles, os maiores parceiros comerciais do continente, com investimentos cada vez maiores e críticas de uma nova forma de imperialismo na região?

Por que os Kurdos celebram a invasão americana no Iraque? Talvez por, depois de décadas de opressão sob o regime de Saddam Hussein – incluindo ai um episódio de genocídio – celebrarem um degrau inédito de liberdade política e econômica?

Por que pós-2003, o Iraque tornou-se uma democracia (há controvérias) liderada por xiitas? Talvez para colaborar com o equilíbrio de poder na região a favor do… Irã?

Não acredite em explicações fáceis, nem de um lado, nem de outro.

Ceticismo atira para os dois lados: se tudo o que a Globo fala é mentira, pode ter certeza que tudo que você lê no Facebook não é verdade.

Ignorância se combate com conhecimento, não com mais ignorância.

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Do Brasil à Inglaterra: histórias de um semestre perdido

Esse blog, aos trancos e barrancos, completa em breve dois anos de atividades.

Uma das categorias que usei bastante nos primeiros textos foi a tag #2010vaiserfoda. Não a repeti em 2011. O que não quer dizer que este ano que chega ao fim, em um balanço pessoal, foi menos incrível que o ano passado. O ‘Da Rosa ao Pó’ chegou oficialmente ao mercado editorial. As colaborações para a revista Rolling Stone Brasil tornaram-se mais frequentes e ainda mais prazerosas. Não obstante, tive a primeira matéria publicada em um veículo estrangeiro. Foi uma matéria para a austríaca Cash Flow, sobre os cariocas do Queremos. Quer saber o que é? Dá pra ler a revista online aqui – em alemão.

As atividades no blog, contudo, foram muito prejudicadas. Desde julho não entra um texto novo no espaço. Culpa do próprio autor, que não soube organizar a própria vida nos últimos meses. Os amigos mais próximos desconfiam do motivo. Os leitores ocasionais – espero – irão entender agora a razão do descaso.

Estou distante do Brasil desde setembro. De lá para cá, a correria acontece na Inglaterra. Voltei a ser estudante em Londres, na King’s College London, onde curso o mestrado em Relações Internacionais. A universidade, dizem muitos rankings, está entre as 25 melhores do mundo. É um ponto importante, claro. Mas o fato de meu curso ser oferecido pelo departamento de ‘War Studies’, isso sim conta tudo a favor.

The Maughan Library, a biblioteca principal do King’s College London – grande, não?

A nova responsabilidade é suficiente para justificar sete meses ausente do blog? Não, admito. Mas o ritmo dos estudos é novo, puxado como nunca imaginei – assustador, a princípio -, em uma cidade onde tudo acontece. Exemplo: em um período de um mês, assisti a palestras intimistas com Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, e o presidente colombiano Juan Manuel Santos Calderón e, por último mas não menos importante (muito pelo contrário), a um show do mestre Bob Dylan – acompanhado de ninguém menos que Mark Knopfler, o eterno ex-líder do Dire Straits.

A partir de 2012, todas essas histórias serão compartilhadas aqui. Essa é a resolução que faço para o próximo ano. em termos cibernéticos, dá para resumir assim: #2012vaiserfoda.

A começar por uma matéria a sair no Brasil sobre um lugar do mundo que, se você leitor está aqui e, principalmente, leu o ‘Da Rosa ao Pó’, eu tenho certeza que vai curtir muito.

Porque, seguindo a tradição do autor, trata-se de um país problemático – ou um não-país.

Em 2012, voltamos ao assunto.

Um bom ano a todos!

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Do Live8 à África: histórias (tristes) do dia mundial do Rock

Fiz questão de lembrar o 11 de julho aqui. A data é importante para um país – a Bósnia – para um continente – a Europa – , para a civilização moderna – a nossa – e, por último mas não menos importante, para mim, por uma série de fatores que, ao longo dos textos publicado aqui neste blog, você já deve ter percebido.

Hoje, 13 de julho, comemora-se o dia mundial do rock. A data não foi escolhida por acaso: em 1985, neste mesmo dia, Bob Geldof organizou um evento de proporções planetárias reunindo os maiores nomes da música pop da época em prol de uma causa em comum: angariar dinheiro para combater a fome na Etiópia, causada por uma das piores secas da história moderna e alimentada pela guerra do país com a (futura) Eritreia.

Particularmente, não acho a celebração do 13 de julho importante. Pelo contrário, acho uma pataquada sem iguais. Primeiro, por ser o ápice do esvaziamento do rock enquanto ideologia – se é que é possível usar esse termo para descrevê-lo enquanto algo além da música – e sua apropriação total pelo establishment. A partir do momento que o sistema absorve o movimento, ele se esvazia e vira slogan de camiseta. Por isso, o dia mundial do rock é a antítese do rock. Certo estão os suecos do The Hellacopters, que lançaram um – excelente – disco chamado “Rock and Roll is Dead” – ironia: foi o último disco da banda.

Mas esse papo, eu sei, é chato. Rock, enquanto atitude, é aquilo que nós queremos que seja.

Portanto, vale chamar a atenção para outro fator: enquanto o dia mundial do rock é comemorado em alto e bom som, a região conhecida como ‘Chifre da África’ – aquela para qual Geldolf chamou a atenção, que engloba alguns países orientais do continente como Somália, Djibouti, Quênia, além de Eritreia e Etiópia – vive novamente um período de secas. Consequentemente, as populações locais já sofrem os efeitos. Vinte e seis anos se passaram, e a fome – que nunca foi extinta – reaparece com força mortal.

Neste ano, cerca de 15 mil somalis – já afetados pela situação anárquica no país, há 20 anos sem um governo significativo – buscam refúgio na Etiópia e Uganda por mês, vindos de regiões castigadas pela seca. Nos últimos meses, o fluxo é de 3 mil pessoas por dia, já em estágio de desnutrição. Estima-se que, em média, 60 recém-nascidos estão morrendo diariamente, enquanto a vida de meio milhão de crianças está sob risco iminente. No total, não menos do que 12 milhões de pessoas estão lutando pela sobrevivência.

O preço dos alimentos na Eritreia subiram numa média de 40% no último mês. A falta de chuvas irá elevar o preço dos grãos de 30% a 80% em algumas regiões do Quênia, comparado à média dos últimos 5 anos. A escassez de água já vitimou milhares de animais, vitais à economia e sobrevivência de outras milhares de pessoas.

Reflita: o 13 de julho tem mesmo algum significado?
E, no fundo, você acha mesmo que pesado é o rock?

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My cover is on the Rolling Stone!

Já faz quase um ano desde que escrevi o primeiro de uma série de posts intitulados ‘On the Cover of the Rolling Stone’. Lá estava a Mariana Ximenes, linda e infernal, centralizada ao lado da chamada “A Intolerância pós-Guerra na Bósnia”. Que orgulho, que alegria, que beleza foi ver aquilo ali.

A experiência se repetiu por mais três vezes ao longo do período. Minha matéria sobre Ruanda e os perfis sobre a ex(?)-nadadora Rebeca Gusmão e o senador Eduardo Suplicy também ganharam destaque no espaço mais nobre da revista, que acompanho desde o primeiro ano e guardo, como leitor, todas as edições.

A propósito, já viram qual é a capa de julho da Rolling Stone Brasil?

Quisera eu ter escrito a matéria sobre Belo Monte, tema que ainda vai dar muita dor de cabeça a nós, brasileiros. Ou ter passado alguns minutos com a quarentona Alessandra Negrini, que ainda mantém uma beleza e formosura invejáveis

Em outras palavras, não estou ‘On the cover of the Rolling Stone’.

Em contrapartida, ao abrir a revista, estou lá. Não como autor de matéria, mas sim como autor de livro. Não como crítico, mas sim como material da crítica. Não para recomendar, mas para ser recomendado. O ‘Da Rosa ao Pó – Histórias da Bósnia pós-genocídio’ has its cover on the Rolling Stone!

O genocídio na antiga Iugoslávia ganha narrativa emocionante e intrigante

Em 2009, o jornalista paulistano Gustavo Silva, colaborador da Rolling Stone Brasil, visitou a Bósnia-Herzegóvina, palco de um dos mais sangrentos massacres dos tempos modernos. Em julho de 1995, forças sérvias executaram cerca de oito mil homens muçulmanos no vilarejo de Srebrenica. Além disso, promoveram pilhagens e estupros. O genocídio foi comandado pelo recém-capturado criminoso de guerra Ratko Mladi e fazia parte da limpeza étnica que por 15 anos varreu a região da antiga Iugoslávia. Gustavo foi in loco ver o que tinha restado da moral daquele povo. Da Rosa ao Pó, na verdade é uma grande reportagem. O autor relata a saga de famílias despedaçadas e traz à tona histórias macabras de 15 anos atrás, contadas por testemunhas que ainda trazem um profundo horror em sua alma. O olhar estrangeiro de Gustavo passeia por tamanha tragédia com curiosidade e carinho. A apresentação do livro é de Marcelo Adnet, aqui revelando sua pouco conhecida faceta de jornalista.

Diz o Emicida que “Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe”. Não cheguei a tanto – nem mordi cachorro e nem atingi muitas coisas ainda -, mas dá pra dizer que a estrada está se abrindo. Ainda não tenho carro, mas também não tenho pressa. Um sim à calma mineira, não ao stress do paulistano – terra onde sou forasteiro.

Andando a gente chega lá – seja lá onde for.

Aos que chegaram ao blog a partir da entrevista no Combo Fala + Joga, sejam bem vindos. O objetivo desse blog não é ser um espaço de divulgação pessoal de trunfos e trabalhos – apesar de ter sido utilizado para esses propósitos nos últimos tempos -, mas sim discutir assuntos que você talvez não conheça, mas possa vir a se interessar, e, quem sabe como eu, vir a se apaixonar – tipo a Bósnia Herzegóvina.

Explorem, aproveitem e voltem sempre.

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11 de julho: o dia que nunca acaba

Há um ano, ‘o mundo’ parava para assistir à final da Copa do Mundo de futebol e ver a Espanha, pela primeira vez na história, sagrar-se campeã em cima da Holanda – que, por sua vez, eliminou o Brasil da competição.

O autor estava em Ruanda já há alguns dias, e assistia ao jogo no telão montado no estacionamento do Estádio Nacional, em Kigali, com amigos britânicos, canadenses, franceses e, claro, os próprios ruandeses locais, fanáticos por futebol mas pouco empolgados com a partida – tediosa – e com as seleções.

A cabeça, contudo, estava distante – física (isso soa estranho..) e temporalmente falando.

Bósnia Herzegóvina. Potocari. Srebrenica. 11 de julho de 2009. Eu, os amigos alemães, os amigos bósnios, outras dezenas de milhares de pessoas. E 534 caixões.

Hoje, os restos mortais de 613 homens e meninos mortos em Srebrenica repousam nos campos verdes de Potocari. Agora, são 5.137 os nomes que ali jazem. Cerca de 3000 ainda estão perdidos. Enquanto todos não forem enterrados de maneira digna, o 11 de julho é um dia eterno para famílias, vítimas e almas.

Descasem em paz.

O Massacre de Srebrenica ganha espaço na televisão hoje. O 11 de julho será lembrado – provavelmente – no Jornal Nacional, em nota de 15 segundos, e os jornais devem seguir amanhã com a tendência de dedicar um pequeno espaço com números e ou ou outro fato histórico – às vezes corretos, às vezes não.

Tento fazer minha parte ao tentar apresentar, introduzir e alertar às pessoas sobre que foi Srebrenica. A caminhada é difícil, mas, hey, andei com mais 3 mil pessoas 110 KM na Bósnia para chegar a Potocari. Em 2011, descubro que a Marcha da Paz contou com cerca de 7 mil participantes. A corrente – felizmente – cresce.

De maneira pouco convencional, dou minha contribuição hoje sobre o tema. Pouco convencional por dois motivos: a) estarei na televisão; b) estarei conversando e jogando video-game. Como o nome denuncia, essa é a proposta do programa Combo Fala + Joga, exibido na PlayTV e apresentado pela Bianca Jhordão.

A razão da minha presença é o livro “Da Rosa ao Pó – histórias da Bósnia pós-genocídio”. O papo, que foi muito agradável, é sobre tudo aquilo que está no trabalho, além de outras curiosidades sobre a viagem à Bósnia e sobre a elaboração de tudo. Um detalhe importante: A gravação foi feita antes da prisão de Ratko Mladic, portanto não assustem que o nome do ex-general sérvio-bósnio apareça de maneira superficial.

É hoje, às 22h00. Dá para assistir pela Sky (canal 86) ou -ótimo!- pelo site da emissora. As reprises acontecem na terça-feira, às 06h30, 12h00 e 17h00.

Interessei-me por genocídios quase que por acaso. Se a cada entrevista ou texto que escrever conseguir seduzir pelo menos uma pessoa a se familiarizar com o episódio, dou-me por feliz. Afinal, o conhecimento abre as portas pro futuro e, principalmente, não deixa que o passado desapareça.

Da se nezaborovi Srebrenica.

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Da Rosa ao Rio: histórias de férias e entrevistas

O autor anda sumido, não? Férias auto-impostas. Rio de Janeiro, aquela delícia.

Idéias de novos textos sendo matutados. Bósnia, Ruanda, Somália, Congo, África ganham espaço neste espaço nos próximos dias. Além de coisinhas ligadas à música e literatura.

Se o tempo fora serviu de algo, foi para colocar as leituras de livros em dia. Foram pelos menos três nos últimos dias. Um excelente, um fraco, e um daqueles que entram na categoria ‘epifania’, tal o poder da história contada – ou da vida, já que, no caso, trata-se de uma biografia.

Todos ganham algumas linhas por aqui em breve.

Não escrever não significa que o autor não tem nada a dizer.

Pelo menos é o que, felizmente, a Rádio CBN e a Livraria da Folha acham. Fui convidado para pequenas entrevistas em ambos os veículos, discorrendo principalmente sobre Bósnia e, por tabela, sobre o “Da Rosa ao Pó – Histórias da Bósnia pós-genocídio”.

O resultado do bate-papo do Papo de Viajante, da CBN, está disponível aqui.

Já minhas palavras sobre o genocídio e das dificuldades de compreender o fenômeno (o que foi resumido no título “Brasileiro não entende o genocídio”), você escuta aqui.

Dia 11 de julho está chegando.

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