Paul McCartney: Show? Não, experiência de vida

De acordo com a diretoria do São Paulo, o estádio do Morumbi já conta com duas datas agendadas para receber os shows de Paul McCartney no Brasil. Mas enquanto o contrato não estiver assinado e o artista não divulgar a informação, eu não acredito – afinal, o São Paulo é aquele clube que não consegue confirmar nem o próprio técnico…

Se eu fosse você, porém, ia a uma mesquita na sexta, a uma sinagoga no sábado e à igreja no domingo. Reze para todos os deuses, independente do nome, para que a notícia seja confirmada de fato. Porque assistir a um show de Paul McCartney é mais do que apenas um espetáculo de entretenimento; é algo transcendental, como a religião.

Eu já posso me considerar um ser humano completo: já plantei minha árvore (valeu por isso, tia Carmelita da terceira série!), já escrevi um livro (aguarem o começo de 2011) e troquei a idéia de ter um filho para assistir a um show do Paul McCartney. Aconteceu em Londres, no Hyde Park, em 27 de junho de 2010. Vi o deus da música cercado de deuses menores na mesma data – Elvis Costelo, Crosby, Stills & Nash e Crowed House também tocaram no último dia do festival Hard Rock Calling.

"Mom, só me acorda quando o Paul entrar no palco, ok?"

Já assisti a mais de cinqüenta shows – contando os festivais e bandas de abertura de renome, o número de artistas deve passar de cem. Pra alguém em seus 23, considero razoável. Muita gente boa entra nessa lista, desde dinossauros, como Jerry Lee Lewis e Chuck Berry, passando por pesos pesados, como Slayer, Metallica e Megadeth, indo a nomes mais contemporâneos, como Linkin Park e The Killers. Isso sem contar com aquelas bandas que você (e nem eu) nunca mais vai poder assistir (e não por falta de vontade), como o Faith no More e o Thin Lizzy.

Mas nenhum desses nomes tem um repertório tão completo quanto o do ex-Beatle. Por quê? Leia de novo: um ex-Beatle. Ouvir canções como “A Day In The Life”, “Let It Be”, “Helter Skelter”, “Blackbird”, “Two of Us” ao vivo, na voz de quem fez tudo isso ganhar vida é algo paradoxalmente indescritível com palavras. Tudo bem distribuído em meio a músicas da carreira-solo, Wings, Fireman e uma surpresinha aqui e ali – para não entregar e cortar o barato do sorriso amarelo, digo apenas uma palavra: Tequila!

Isso tudo sem contar as experiências visuais que a apresentação vai te proporcionar, como ter John Lennon e George Harrison dando as caras no palco, mesmo que por fotos, em momentos-tributo, como “Here Today” e “Give Peace a Chance” (em memória ao primeiro) e “Something”; ou nos fogos de “Live and Let Die”, quando o mundo se revela um lugar sombrio, mas ao mesmo tempo, cheio de luz – literalmente.

George Harrison: ele está entre nós

Paul já é um tiozinho em seus 68 anos. A juventude vem de seu legado, sempre atual, e também de sua banda – a melhor das décadas da carreira-solo – que, a bem verdade, não é tão jovem assim. Quase todos são cinqüentões, com exceção do baterista Abe Laboriel Jr, que, com seus 39 anos, sabe que seu instrumento merece ser tratado com violência e suavidade – e consegue um equilibro magistral entre elementos tão antagônicos.

A experiência de um show de Paul McCartney pode se resumir a “Hey, Jude”. No momento do coro, não existem mais problemas no mundo, não existem inimigos. É o momento máximo de comunhão. O seu deus olha por você, e sabe que aquele momento é sagrado e dá a permissão para esquecer de tudo – mas não de todos, pois está rodeado de iguais que estão passam pelo menos transe que você, cantando as mesmas palavras.

“Não carregue o peso do mundo em seus ombros”, ele canta, para, depois de mais de duas horas e quarenta minutos, finalizar: “No fim, o amor que você recebe é igual ao que você distribui”, . Eis as palavras da salvação – em uma cerimônia onde a música é a mensagem e Sir Paul McCartney o (meu) pastor.

Amém.

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5 respostas para Paul McCartney: Show? Não, experiência de vida

  1. fisberg disse:

    Caro,
    saiba que estou acompanhando e gostando muito do seu blog. Infelizmente me enrolei e não conseguimos marcar uma cerveja ou algo assim. Parto amanhã para Israel e em novembro pra India. (O que arrebenta meu coração ao ler seu post e não presenciar – pelo menos aqui – este show)
    Vamos nos falando pela internet. Espero poder escrever artigos à sua altura!
    Grande abraço!

  2. Lígia disse:

    Olha, eu nunca plantei uma árvore, e espero um dia ter um filho e escrever um livro. Mas nada disso me faz falta para me sentir uma pessoa plena desde que assisti ao querido Paul McCartney ao vivo.

    Concordo com você, ouvir Hey Jude e, ainda por cima, participar do coro, é uma experiência mais do que religiosa. Algo pra nunca se esquecer.

    Espero que nossa experiência possa se repetir em novembro.

  3. Vanessa disse:

    Sensacional a sua descrição do show!!!

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